Dados recentes de um levantamento nacional sobre registros civis revelam que o Brasil chegou ao menor número de nascimentos em quase meio século. Em 2023, foram registrados 2,52 milhões de nascimentos, marcando o quinto ano consecutivo de queda nesse indicador. Especialistas apontam para mudanças no comportamento familiar, fatores econômicos e o envelhecimento da população como influências importantes nesse cenário.
A redução, embora discreta (0,7% em relação a 2022), consolida uma tendência de desaceleração na taxa de natalidade que se estende desde 2018. A queda acompanha o padrão de outros países em desenvolvimento, em que a estrutura familiar está passando por profundas transformações.
Menos mortes, mas índices ainda acima do pré-pandemia
O número de mortes registradas em 2023 apresentou queda de 5% em relação ao ano anterior. Apesar disso, o volume ainda se mantém superior aos níveis observados antes da crise sanitária global. A redução foi mais significativa entre idosos com mais de 80 anos, grupo que registrou diminuição de 7,9% nos óbitos.
Esse recuo é visto como reflexo do avanço da vacinação e da recuperação gradual dos serviços de saúde, segundo analistas que acompanham as estatísticas demográficas do país.
Avanço no registro civil de recém-nascidos
Um dado considerado positivo foi a redução no índice de sub-registro de nascimentos — quando crianças não são registradas no primeiro ano de vida. Em 2023, o país atingiu o menor percentual histórico, com apenas 1,05% dos nascimentos sem documentação formal. A melhora foi puxada por ações de acesso à documentação e integração entre órgãos públicos.
No entanto, o cenário ainda é desigual: enquanto a região sul apresentou um índice exemplar de 0,19%, a região norte, embora com melhora em relação a 2022, ainda lidera os registros ausentes com 3,73%.
Casamentos recuam, mas uniões homoafetivas atingem recorde
O total de casamentos formais realizados em 2023 foi de pouco mais de 940 mil, queda de 3% em comparação ao ano anterior. O número segue abaixo da média histórica anterior a 2020, reflexo ainda da desaceleração causada pela pandemia e por mudanças na percepção social sobre o casamento tradicional.
Por outro lado, as uniões entre pessoas do mesmo sexo alcançaram um recorde, com 11,2 mil registros em todo o país — um crescimento de 1,6%. A alta foi impulsionada principalmente pelo aumento de matrimônios entre mulheres, que representaram cerca de 63% do total dessas uniões.
Desde que normas judiciais passaram a proibir a recusa de cartórios em registrar essas uniões, o número de casamentos homoafetivos quase triplicou no país em uma década.
Divórcios em alta e casamentos mais curtos
O número de separações também cresceu. Em 2023, foram contabilizados cerca de 440,8 mil divórcios, um aumento de 4,9% em relação ao ano anterior. Quase metade desses casos envolveu casais com filhos menores de idade, o que levanta preocupações sobre os impactos sociais e psicológicos nas famílias.
Segundo observadores do comportamento conjugal, mudanças na legislação — como a eliminação da exigência de separação prévia antes do divórcio, vigente desde 2010 — contribuíram para a maior facilidade no rompimento dos vínculos legais.
A idade média dos homens no momento da separação foi de 44,3 anos, enquanto as mulheres se divorciaram, em média, aos 41,4. Outro dado que chama atenção é o tempo médio das uniões dissolvidas: 13,8 anos — três a menos do que o registrado em 2010.
Para cada 100 casamentos registrados, houve cerca de 47 divórcios, revelando um novo equilíbrio na balança dos relacionamentos no Brasil contemporâneo.