Bolsonaro tenta impedir articulação por anistia alternativa em Brasília

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Cerca de 4 mil pessoas, segundo estimativa do monitor da Universidade de São Paulo (USP), participaram da manifestação realizada na última quarta-feira (7/5), em Brasília, em defesa do projeto de anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro. O ato contou com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, de parlamentares da legenda e do pastor Silas Malafaia.

Os discursos reforçaram o apoio à proposta em tramitação na Câmara que busca conceder perdão a manifestantes envolvidos nas invasões aos prédios dos Três Poderes. Bolsonaro, em sua fala, destacou a legitimidade do Congresso para decidir sobre o tema: “Anistia é ato político e privativo do parlamento brasileiro. O parlamento votou, ninguém tem que se meter em nada”, afirmou, em referência ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Divergência sobre número de participantes e tom político

Enquanto o monitor da USP estimou a presença de 4 mil manifestantes, Valdemar Costa Neto alegou que o número seria de aproximadamente 10 mil pessoas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou o ato como “impressionante” e reforçou a importância da mobilização popular para pressionar o Legislativo.

Durante o evento, Jair Bolsonaro — que havia recebido alta hospitalar dias antes — agradeceu a presença dos apoiadores e reiterou sua defesa da democracia. “Todos somos responsáveis pelo futuro do país. Eu sou apenas instrumento. Não tenho obsessão por poder”, declarou.

O embate com a “anistia alternativa”

Paralelamente à tramitação do projeto defendido pela oposição, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articula uma proposta alternativa, que tem o apoio do STF e visa distinguir os níveis de responsabilidade entre os envolvidos nos atos antidemocráticos.

Apresentada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a proposta alternativa prevê penas mais brandas para os réus de menor envolvimento e mantém punições mais rigorosas para os principais articuladores, como líderes políticos e financiadores. A iniciativa busca atender parte dos apelos da oposição sem beneficiar figuras de destaque atualmente investigadas ou condenadas, como o próprio Jair Bolsonaro.

Entre os principais pontos do texto alternativo está a redução da pena mínima para tentativa de golpe de Estado, que passaria de 4 para 2 anos, com teto de 8 anos. A proposta também estabelece que, em casos de tumulto coletivo sem planejamento prévio por parte do réu, as penas variariam entre 2 e 6 anos de prisão.

Caminhada simbólica e reforço ao PL da Anistia

A manifestação teve início na sede da Funarte, próximo à Torre de TV, e seguiu em passeata até a Esplanada dos Ministérios. Os participantes se concentraram na Avenida José Sarney, em frente ao Congresso Nacional, até o fim do evento, por volta das 18h.

A mobilização buscou impulsionar a votação do PL da Anistia, que pretende perdoar os condenados pela invasão dos Três Poderes. A oposição afirma já ter coletado as 257 assinaturas necessárias para aprovar o regime de urgência na Câmara. Se a urgência for aprovada, o projeto poderá ser votado diretamente em plenário, sem passar pelas comissões temáticas — o que acelera o processo legislativo.

jcjoinville

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