A comarca de Joinville recebeu, nesta segunda-feira, 11 de maio, a quarta turma do curso “Inteligência Artificial Aplicada no Contexto Forense”, projeto piloto da Academia Judicial do Poder Judiciário de Santa Catarina voltado à capacitação de magistrados e servidores para o uso responsável de ferramentas de inteligência artificial (IA) na atividade jurisdicional.
A iniciativa foi estruturada em um ciclo de cinco turmas na comarca, com 15 participantes em cada uma delas. A formação é destinada a magistrados, assessores judiciais e assessores de gabinete das unidades judiciais de Joinville. O encerramento da fase experimental está previsto para a próxima segunda-feira, 18 de maio. Após a conclusão do projeto piloto, a proposta poderá ser ampliada para outras unidades judiciais do Estado.
O curso reúne atividades teóricas e práticas sobre conceitos de inteligência artificial, proteção de dados, ética no uso das ferramentas tecnológicas, engenharia de prompts e diretrizes previstas na Resolução n. 615/2025, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que regulamenta o desenvolvimento, a utilização e a governança de soluções de IA no Poder Judiciário.
Os trabalhos são conduzidos pelo juiz da comarca de Joinville Guy Estevão Berkenbrock, com apoio do assessor jurídico Rafael Lopes Antônio. Segundo o magistrado, a Resolução n. 615/2025 do CNJ estabelece o letramento em inteligência artificial como um dos requisitos para a utilização dessas ferramentas no âmbito do Judiciário. “Como o Copilot já está presente na rotina da grande maioria dos servidores do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o curso vem justamente suprir essa exigência da resolução, para que juízes e servidores façam uso dessa ferramenta de auxílio com mais responsabilidade”, destacou.
O juiz explica que a proposta é oferecer aos participantes uma compreensão prática e crítica sobre o funcionamento da tecnologia. “Buscamos que os alunos, após o curso, sejam capazes de responder às três principais perguntas relacionadas ao uso responsável da inteligência artificial: como ela funciona, de onde ela tira informação e por que ela alucina. Após a parte teórica, realizamos exercícios práticos especificamente pensados para a atividade judicial, para que os participantes se familiarizem com o uso da ferramenta no cotidiano forense”, completou.