Como é viver cercado por pessoas que não entendem o que você diz? Essa é a provocação central de “Eu não falo sua língua”, espetáculo do Grupo de Teatro Libração que retorna aos palcos de Joinville neste sábado (25/10), às 19 horas, no Galpão de Teatro da Ajote. A apresentação é gratuita e aberta ao público.
Reflexão sobre comunicação e inclusão
A peça traz à tona os desafios enfrentados cotidianamente por pessoas surdas em um país onde a Língua Brasileira de Sinais (Libras) ainda é pouco compreendida pela população ouvinte. No palco, a atriz surda joinvilense Dayane Cristina Gomes protagoniza a encenação e interage com personagens projetados no cenário, que representam situações comuns da vida real — como dificuldades no acesso à educação, ao trabalho e à convivência social.
“O espetáculo fala sobre a experiência de viver em uma sociedade que não fala a minha língua, mas também sobre o encontro com outras pessoas surdas e o fortalecimento da nossa identidade”, destaca Dayane.
Identidade e poesia em Libras
A construção da identidade surda também ganha força na participação do ator e linguista Darley Goulart, que aparece em projeções durante o espetáculo. Em suas intervenções, Darley apresenta poesias em Libras que expressam não apenas os desafios, mas também a potência e a beleza da cultura surda.
Arte, acessibilidade e diversidade
Mais do que uma apresentação artística, o espetáculo é uma experiência de acessibilidade. A peça é interpretada integralmente em Libras, conta com locução em português, audiodescrição e intérprete de Libras para garantir a comunicação entre o público ouvinte e a atriz surda.
O objetivo é sensibilizar o público sobre os direitos das pessoas com deficiência e ampliar o debate sobre acessibilidade e diversidade humana.
Circuito em escolas e formação cultural
Além da sessão aberta ao público, o projeto prevê apresentações em quatro escolas municipais de Joinville. A proposta é levar a arte produzida por pessoas com deficiência (arte DEF) a diferentes espaços e incentivar reflexões sobre inclusão e acessibilidade no cotidiano escolar e social.
Grupo Libração: trajetória e propósito
Fundado em 2011 pelas atrizes Dayane Cristina Gomes e Manoella Carolina Rego, o Grupo de Teatro Libração nasceu com a missão de criar um espaço de produção artística voltado à comunidade surda de Joinville. Composto por artistas surdos e ouvintes que se comunicam em Libras, o grupo passou a integrar, em 2018, o Instituto IMPAR e o Programa de Formação Cultural Arte para Todos, que fomenta a arte inclusiva na cidade e oferece consultoria em acessibilidade a outros grupos culturais.
Apoio e fomento cultural
A realização do espetáculo conta com apoio da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Itinga (Amorabi) e foi contemplada no Edital de Chamamento Público 01/2024 de Ações Culturais da Prefeitura de Joinville, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).