O ex-presidente Jair Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, após passar por uma cirurgia de desobstrução intestinal no último domingo, 13 de abril. Segundo o médico Cláudio Birolini, que lidera a equipe responsável pelo procedimento, a recuperação deve ser lenta, e as próximas 48 horas são consideradas críticas para o quadro clínico.
Cirurgia longa e recuperação cautelosa
A operação durou cerca de 12 horas e teve como objetivo reverter complicações intestinais recorrentes que, segundo os médicos, vinham se agravando ao longo dos últimos meses. O intestino de Bolsonaro apresentava sinais de inflamação prolongada e mobilidade reduzida.
De acordo com Birolini, ainda não há condições para retirada do ex-presidente da UTI. “O intestino precisa descansar, desinflamar e recuperar suas funções antes que se possa pensar em alimentação oral”, explicou o médico durante entrevista coletiva. A previsão é de que Bolsonaro permaneça internado por, no mínimo, duas semanas.
Facada de 2018 é apontada como origem do problema
Durante a coletiva, o médico ressaltou que o atual quadro de saúde de Bolsonaro está diretamente relacionado à facada sofrida em setembro de 2018, durante a campanha presidencial. “A facada é o ponto de partida. As cirurgias realizadas desde então e as aderências formadas ao longo do tempo culminaram nesse novo episódio de obstrução”, explicou Birolini.
Segundo ele, o ex-presidente vinha relatando desconforto abdominal frequente, com sintomas como sensação de inchaço e dor, o que indicava um quadro crônico e progressivo. A cirurgia realizada teve como objetivo principal corrigir essas complicações para evitar novos episódios semelhantes.
Sem relação com alimentação recente
A equipe médica também informou que não há indícios de que a dieta recente de Bolsonaro tenha causado ou agravado o quadro de obstrução. A origem é considerada estritamente relacionada ao histórico cirúrgico e às sequelas da lesão abdominal sofrida em 2018.
Internação começou após mal-estar no Nordeste
Bolsonaro foi internado inicialmente na última sexta-feira, 11 de abril, após sentir-se mal durante compromissos no Rio Grande do Norte. Atendido primeiramente em um hospital da cidade de Santa Cruz, no interior do estado, ele foi transferido para Natal, onde exames de imagem identificaram a obstrução intestinal.
A decisão de levá-lo a Brasília foi tomada em conjunto com a família. O transporte até a capital federal foi feito por meio de uma UTI aérea, e o ex-presidente chegou ao Hospital DF Star ainda na noite de sexta-feira.
Com a cirurgia concluída e a fase mais crítica do pós-operatório em andamento, a equipe médica seguirá monitorando o quadro de Bolsonaro com cautela, sem pressa para sua liberação da UTI.