Os preços do petróleo iniciaram a semana em alta nesta segunda-feira (23), refletindo a crescente preocupação dos investidores com a escalada militar no Oriente Médio. No fim de semana, os Estados Unidos se juntaram a Israel em uma ofensiva contra instalações nucleares do Irã, aumentando o temor de possíveis interrupções no fornecimento global de petróleo.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os EUA “obliteraram” importantes centros nucleares iranianos durante a operação militar, ampliando a tensão geopolítica na região.
Reação imediata nos mercados: alta dos preços e volatilidade
O mercado de petróleo registrou forte volatilidade ao longo da manhã. Por volta das 8h (horário de Brasília), os contratos futuros do Brent subiam 0,84%, sendo negociados a US$ 77,70 por barril. Já o petróleo do tipo West Texas Intermediate (WTI) avançava cerca de 1%, chegando a US$ 74,50 o barril.
No início da sessão, ambos os contratos atingiram as maiores cotações em cinco meses, com o Brent alcançando US$ 81,40 e o WTI chegando a US$ 78,40. No entanto, os preços devolveram parte dos ganhos durante a manhã na Europa, chegando a operar no campo negativo antes de voltarem a subir.
Irã promete resposta e amplia retórica contra os EUA
O governo iraniano reagiu com firmeza aos ataques. Além de classificar o presidente Trump como um “jogador” que aderiu à ofensiva israelense, o Irã declarou que os bombardeios norte-americanos ampliaram a lista de alvos legítimos para as Forças Armadas do país.
As autoridades iranianas também afirmaram que os EUA colocaram em risco a segurança regional ao participarem diretamente das ações militares, o que pode desencadear novas fases de retaliação por parte de Teerã.
Israel amplia ofensiva com novos bombardeios
Enquanto isso, Israel realizou novos ataques na manhã desta segunda-feira, incluindo alvos na capital iraniana, Teerã, e na instalação nuclear de Fordow, que também foi alvo das forças norte-americanas.
A ação militar conjunta eleva o grau de tensão na região, sobretudo porque o Irã é atualmente o terceiro maior produtor de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o que amplia o risco de impacto nas exportações de energia.
China critica EUA e alerta para risco de descontrole
A China, um dos principais consumidores de petróleo mundial, condenou a postura dos Estados Unidos. Em nota oficial, Pequim afirmou que o ataque norte-americano prejudica a credibilidade de Washington e advertiu que a situação no Oriente Médio “pode sair do controle” caso os ataques continuem.
Risco geopolítico e temor de bloqueio do Estreito de Ormuz
Desde o início da atual crise, em 13 de junho, os preços do petróleo vêm subindo com o aumento dos temores de que o Irã possa retaliar fechando o Estreito de Ormuz – uma passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
Especialistas avaliam que o chamado “prêmio de risco geopolítico” ainda está embutido nos preços do petróleo. Giovanni Staunovo, analista do UBS, ressaltou que, apesar da alta volatilidade, o mercado ainda não sofreu impactos diretos no fornecimento.
“O prêmio de risco geopolítico tem diminuído, pois até agora não houve interrupções na oferta. No entanto, como o desfecho do conflito permanece incerto, é provável que o mercado mantenha esse adicional de risco no curto prazo”, afirmou o analista.
Perspectivas para o mercado de petróleo
Com a situação ainda em evolução, investidores permanecem atentos a qualquer nova movimentação militar na região. A combinação entre incertezas geopolíticas, instabilidade climática no mercado e riscos logísticos pode manter os preços do petróleo em níveis elevados e com forte volatilidade nos próximos dias.