Para onde Joinville pode crescer?

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Joinville possui uma área de 1 127,946 km² e pertence à Microrregião de Joinville e à Mesorregião do Norte Catarinense. É um dos principais polos industriais do Brasil e do Sul, em que uma pergunta entra em ação: Joinville ainda tem para onde crescer? Esse desenvolvimento se refere a tudo, desde a parte de moradias, comércio e principalmente na área industrial. O Morro do Meio é um dos bairros que aguarda esse crescimento e que tem possibilidades de investimentos. Recentemente, uma lei que tornaria a região de Proteção Ambiental foi detida. Isso inviabilizaria o crescimento e investimento naquela região. A proximidade com a Rodovia do Arroz permite que empresas e comércio venham a se instalar ali futuramente.

O Bairro Paranaguamirim é outro que conseguiu conquistar um Parque Industrial. Só que aparentemente o processo ainda é lento, mas é uma região próxima da BR 280 e da BR 101, o que permite “sonhar” com uma evolução.

Já o bairro Itinga permite uma conexão com Araquari, onde os loteamentos têm força para o comércio.

Expansão Urbana

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou um parecer favorável à criação de mais uma área de expansão urbana. A notícia pode parecer repetida, mas a atual alteração de zoneamento fará com que a possibilidade de expansão urbana de Joinville alcance o limite com o munícipio de Garuva. Porém, o Projeto de Lei Complementar nº 39/2026 não fica apenas na criação de áreas de expansão urbana, mas incorpora, efetivamente, um novo pedaço do município na macrozona urbana.

A área a ser incorporada diretamente à zona urbana é a das fazendas Pirabeiraba e Cubatão que, apesar do nome, ficam mais a norte que os bairros que hoje detêm esse nome na zona urbana. A Prefeitura encaminhou mês passado o PLC nº 39/2026 com o desenho de uma ocupação urbana na área seguindo o conceito de um espaço “rurbano”, como algo intermediário entre o urbano e o rural, algo já delineado para o bairro Vale Verde.

A área que pode ser incorporada à zona urbana de maneira mais direta, que corresponde à fazenda Pirabeiraba, tem 28.311.354,27 m². Arredondando, podemos falar em mais 28 km² para a zona urbana de Joinville.

A distribuição dessa área deve ficar assim, conforme o projeto encaminhado pelo Poder Executivo:

  • ocupação residencial, quase 16 km²;
  • formação de reservas ambientais: 11 km²; e
  • empreendimentos logísticos: cerca de 1,1 km².

Na maior parte da área para ocupação residencial as metragens mínimas dos lotes da área devem seguir a mesma regra do Vale Verde, tendo que possuir uma área mínima de 5 mil m² e um mínimo de 30 metros de frente para as vias. Entretanto, em um trecho mais próximo à estrada Caminho Curto, essas medidas poderão ser ligeiramente menores, com 1 mil m² e testada de 15m. Em ambos os casos as áreas podem ser diminuídas em caso de uso de outorga onerosa do direito de construir (OODC).

Para “abraçar” a área das fazendas, ficaria instituída a área de expansão urbana Caminho Curto, que vai do leito retificado do rio Cubatão até o limite com Garuva, se estendendo de leste a oeste do bairro Rio Bonito até o rio Palmital. Conforme simulação feita no Google Maps, essa AEU deve somar 59,3 km². Sozinha, a área é maior que toda a área debatida durante a discussão da ampliação que incorporou à zona urbana o agora formalmente bairro Vale Verde.

Somadas, AEU Caminho Curto e fazendas compõem uma área total de 87,6 km². O município inteiro de Balneário Camboriú caberia quase duas vezes nessa área.

Com o parecer favorável assinado o próximo passo do projeto é a análise na Comissão de Urbanismo, onde o relator já foi indicado, sendo o vereador Lucas Souza (Republicanos). Uma vez aprovado nesse colegiado, o texto já poderá ser encaminhado ao Plenário.

Debate no Conselho da Cidade

Antes de chegar à Câmara, a proposta foi debatida no âmbito do Conselho da Cidade. Em março, o secretário de Planejamento Urbano, Marcel Virmond Vieira, descreveu o projeto da Fazenda Pirabeiraba como um “bairro-empreendimento” aos conselheiros. Um parecer favorável obteve aprovação por maioria (com apenas dois votos contrários), acompanhada de recomendações para inclusão de áreas adjacentes e rigor aos parâmetros da Área Urbana da Paisagem Campestre.

Entre os argumentos a favor da proposta, conforme a ata da reunião, estava a ideia de que a alteração não traria custos de Infraestrutura para o município, porque as redes de água, esgoto e vias devem ser financiadas integralmente pelo empreendedor. Além disso, o projeto prevê arrecadação futura de impostos e aplicação de outorgas onerosas para a região (algo defendido pela Secretaria de Infraestrutura Urbana, a Sepur) para permitir parcelamentos de imóveis menores. Outro argumento favorável estava na ideia de que a ocupação planejada preveniria ocupações desordenadas.

Rogemar Santos

Jornalista há mais de 20 anos e Editor Chefe do Jornal da Cidade

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