Acordar de manhã, abrir a janela e deixar a luz entrar; observar o jeito que os raios se projetam em direção à Terra, o caminho que criam “no ar”, e absorver toda a sensação restauradora de um breve caminhar ao sol.
Para esta colunista que vos fala, eis no relato um dos maiores “grandes pequenos prazeres” da vida moderna. Em tempos de escritórios fechados e rotinas enclausuradas, de luz artificial e corpos estáticos no acelerar das teclas, doses possíveis de apreciação solar são praticamente luxo (ainda mais para os moradores aqui de “Chuville”, nossa bela, amada e carinhosamente apelidada Joinville).
Um vislumbre ensolarado, ainda que breve, é mesmo conhecido como sinônimo de good vibes, e os dias que já amanhecem com céu limpo, ainda mais após outros tantos de “mau tempo”, parecem reiniciar nosso sistema e instalar atualizações importantes ao bom funcionamento.
E não é por acaso: a maior estrela do sistema solar é, de fato, o centro da nossa existência – mais que isso: um preditor do BOM existir. É dele (sol) que as plantas se alimentam com fotossíntese, é ele que sinaliza o ciclo do sono e regula o nosso descanso, e é também este gigante amigo amarelo que sintetiza em nós um elemento vital à saúde: a famosa Vitamina D.
Além do mais, a vida parece simplesmente funcionar melhor quando ele volta a aparecer: as roupas secam, a casa areja, o trânsito é mais seguro, os trajetos tranquilos e as atividades se tornam mais à vontade de serem executadas.
Bem se vê o quanto dias de sol são realmente glamourosos e contribuem para um “up” nos ânimos. Mas, por que será que isso acontece?
Bem, para além do que é facilmente observável, citado ou não aqui, existe ainda a parte invisível aos olhos, e que implica diretamente no sentir: a nossa mente.
Como assim? É que a luz solar beneficia o sistema serotoninérgico, o humor e a homeostase¹. Vamos entender: popularmente chamada de “hormônio da felicidade”, a serotonina é um neurotransmissor envolvido em sistemas biológicos do comportamento e funções cerebrais superiores².
Isto é, uma substância que atua na química do cérebro – e para o restante do corpo –, e que funcionalmente se evidencia muito claramente na promoção do bem-estar. Em outras palavras, o sol literalmente produz positividade em nós.
Além disso, voltando à Vitamina D (VitD), um estudo³ muito interessante demonstrou, por meio de três grupos de pessoas analisados, que:
- o grupo com depressão sem tratamento apresentava insuficiência grave de VitD,
- o grupo com depressão sendo tratada apresentava insuficiência menos grave, e
- o grupo controle apresentava nível suficiente.
Conclusão? Parece existir também uma correlação entre a substância suficientemente sintetizada pelo sol e o estado mental positivamente saudável.
Trocando por miúdos, chegamos novamente ao mesmo ponto: o sol, que sintetiza VitD no corpo, é consequentemente também um produtor de alegria – e tudo 100% natural.
Claro que ele só pode agir a partir do momento em que decidimos parar de ignorá-lo. No vai e vem da corrida diária, isso é facilmente negligenciado, principalmente porque certos tipos de trabalho não contemplam passar tempo ao ar livre.
Contudo, alguns minutos de sol ao meio-dia já podem fazer parte da mágica acontecer.
Sem séries, sem maratona, sem rolar Instagram: apenas parar, contemplar e se esvaziar dos excessos; olhar para uma planta, como a luz quente reflete a coloração das folhas e deixa tudo mais bonito; sentir esse mesmo calor reconfortante tocando a pele.
Será pouco? Ora, as crianças parecem saber intuitivamente algo que nós com o passar do tempo nos permitimos esquecer, mas não deveríamos: a importância de vivenciar o momento em que vivemos, de estar presente nas simplicidades vantajosas que a vida nos oportuniza – como o valor de um belo dia de sol.
A prova? Bem, elas são muito mais felizes do que nós, não é mesmo?
Ótima semana a todos, fiquem com Deus!
Referências:
¹,² Azmitia, Efrain C. Manual de Neurociência Comportamental. Volume 31, Capítulo 1 – Evolução da serotonina: da luz solar ao suicídio. Ano: 2020. Disponível em: ScienceDirect. Acesso em: set. 2025.
³ Manzanos, I. et al. Vitamina D: entre o brilho do sol e a escuridão da depressão. Revista Colombiana de Psiquiatria, Volume 51, Ed. 3, Ano: 2022. Disponível em: ScienceDirect. Acesso em: set. 2025.
