Divaldo Pereira Franco, um dos nomes mais emblemáticos do espiritismo brasileiro, aos 98 anos. Conhecido por seu trabalho como médium, orador e fundador da Mansão do Caminho, Divaldo dedicou quase um século à promoção da doutrina espírita e à assistência social.
Natural de Feira de Santana, na Bahia, ele conquistou reconhecimento internacional por sua atuação humanitária e espiritual. Sua partida foi registrada às 21h45, em Salvador, cidade onde viveu e atuou por décadas.
Da infância baiana ao espiritismo: os primeiros contatos com o invisível
Nascido em 5 de maio de 1927, Divaldo relatava que desde criança percebia presenças espirituais. Episódios de sofrimento e a convivência com essas manifestações o levaram, ainda jovem, ao encontro da médium Ana Ribeiro Borges, que o apresentou formalmente ao espiritismo.
A partir daí, sua trajetória tomou um rumo definitivo: o da dedicação integral à doutrina codificada por Allan Kardec. Em 1947, fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção e, cinco anos depois, ao lado de Nilson de Souza Pereira, criou a Mansão do Caminho, em Salvador.
Mansão do Caminho: um projeto de amor ao próximo
A Mansão do Caminho, mais do que uma instituição espírita, tornou-se um dos maiores complexos socioeducativos do país. Com 44 edificações distribuídas em uma ampla área urbana, o local oferece atendimento gratuito a mais de cinco mil pessoas por dia — entre crianças, jovens, adultos e idosos — com ações voltadas à educação, saúde, alimentação e orientação espiritual.
Divaldo também ficou conhecido por sua generosidade pessoal: adotou mais de 650 crianças, que foram acolhidas em casas-lares mantidas pela instituição.
O orador que levou o espiritismo a mais de 70 países
Reconhecido por sua eloquência e serenidade, Divaldo Franco realizou mais de 20 mil palestras em cerca de 2.500 cidades, espalhadas por 71 países. Seu trabalho levou consolo e conhecimento espiritual a milhões de pessoas, sempre com uma mensagem de paz, fé e fraternidade.
Seu compromisso com a divulgação da doutrina espírita também se refletiu na literatura: publicou mais de 260 livros — muitos deles psicografados —, que foram traduzidos para 17 idiomas e somam mais de 10 milhões de exemplares vendidos. As obras reúnem mensagens de mais de 200 autores espirituais.
Reconhecimento internacional e títulos honoríficos
Pelo impacto de sua atuação humanitária e espiritual, Divaldo recebeu mais de 800 homenagens de instituições nacionais e internacionais. Entre os principais reconhecimentos, destacam-se os títulos de Doutor Honoris Causa concedidos por universidades como a Federal da Bahia, Universidade Santa Cecília, Federal do Piauí e Federal de Pernambuco.
Em 2005, recebeu o título de Embaixador da Paz no Mundo, concedido pela Ambassade Universalle Pour la Paix. Em 2013, foi agraciado com a Medalha Comenda da Paz Chico Xavier, um dos maiores reconhecimentos públicos a médiuns e trabalhadores espíritas no Brasil.
Legado também nas telas e nos livros biográficos
A história de vida de Divaldo foi retratada no cinema com o filme “Divaldo – O Mensageiro da Paz”, lançado em 2019. Também foi tema de obras biográficas como “O Semeador de Estrelas”, “Divaldo Franco: Uma Vida com os Espíritos” e “Divaldo Franco – A trajetória de um dos maiores médiuns de todos os tempos”.
Esses registros reforçam a influência do médium como referência moral e espiritual para gerações de estudiosos, voluntários e simpatizantes do espiritismo.
Despedida: velório e sepultamento
O velório de Divaldo Franco será realizado nesta quarta-feira (14), das 9h às 20h, no Ginásio da Mansão do Caminho, em Salvador. O sepultamento ocorrerá na quinta-feira (15), às 10h, no Cemitério Bosque da Paz.
Uma partida que marca o fim de uma era — e o nascimento de um legado eterno
A morte de Divaldo Franco representa o fim de um ciclo marcante para o espiritismo brasileiro e mundial. “Tio Divaldo”, como era carinhosamente chamado por muitos, deixa uma herança de amor, dedicação e fé inabalável no ser humano e na vida espiritual.