O Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM) promoveu uma atividade especial de mediação cultural voltada a pessoas com deficiência visual ao receber, pela primeira vez, um grupo da Associação Joinvilense para Integração dos Deficientes Visuais (Ajidevi). A iniciativa integra um programa inclusivo que busca ampliar o acesso à arte e à cultura por meio de experiências adaptadas.
A visita teve como foco apresentar a trajetória do artista Juarez Machado, além de explorar o próprio espaço do instituto, idealizado por ele. Durante a mediação, os participantes acompanharam uma descrição detalhada do ambiente — da arquitetura à disposição dos espaços — favorecendo uma compreensão mais completa do local.
As obras foram apresentadas de forma descritiva, destacando temas e características marcantes do artista. Como diferencial, a experiência incluiu a exploração tátil de esculturas produzidas com materiais resistentes, como o metal. Com o uso de luvas, os visitantes puderam tocar algumas peças, ampliando a percepção das formas e da linguagem artística.
De acordo com a coordenadora pedagógica do Instituto, Ana Júlia Silva, esse tipo de mediação exige uma abordagem mais cuidadosa e aprofundada, considerando aspectos como locomoção e acompanhamento individualizado. Por isso, a atividade é realizada com grupos menores — nesta edição, participaram 13 pessoas com deficiência visual.
A ação reforça o compromisso do IIJM com a inclusão e a democratização do acesso à cultura, promovendo experiências significativas e acessíveis a diferentes públicos. “Eu gostei muito das exposições apresentadas, especialmente da bicicleta com roda quadrada, que achei extremamente interessante. Também me chamou a atenção a proposta da exposição sobre o corpo e tudo aquilo que foge do comum, do que não vemos em todos os lugares. Adorei a experiência e fiquei com muita vontade de voltar para visitar novamente”, afirmou a aluna Maria Fernanda Naomi.
“Foi uma experiência muito significativa para nossos alunos. Pensar a arte de forma mais ampla, valorizando diferentes formas de percepção e garantindo que todos se sintam pertencentes a esses espaços, é promover inclusão. Essa vivência reforça a importância de iniciativas que ampliem o acesso à cultura, reconhecendo que a experiência artística vai além do olhar e deve contemplar a diversidade de cada indivíduo”, destacou Carla Vidoto Knittel, coordenadora pedagógica da Ajidevi.