Ajotre pode fechar as portas 

Data da publicação:

Questões administrativas, falta de estímulo e política público privado desestimulam caçambeiros 

Ajotre (Associação Joinvilense dos Transportadores de Resíduos) está prestes a fechar as portas em Joinville. A entidade surgiu como uma esperança para mais de 100 caçambeiros de Joinville, que trabalhavam na locomoção de entulhos, já que havia reclamações sobre o preço do transporte, a falta de um local para depósito dos entulhos e obviamente evitar problemas ambientais.  

Houve uma grande mobilização dos profissionais da área, que chegaram a realizar protestos no pátio da Arena, com faixas e convocação da imprensa para alertar sobre a situação. Várias reuniões ocorreram com o poder público, inclusive acordos judiciais para que a Ajotre pudesse desenvolver seu trabalho.  

Até mesmo ocorreu a possibilidade da abertura de uma empresa de reciclagem na Rua Minas Gerais, num amplo espaço. Proposta que acabou caindo por terra diante de impedimentos ambientais (área alagada, nascentes, etc). 

Com o passar do tempo, a Ajotre perdeu forças, e ainda sofreu com possíveis irregularidades administrativas. A partir disto, os próprios cooperados começaram a ficar desanimados. Muitos venderam suas empresas e passaram a se dedicar a outros serviços. Então, hoje, Joinville passa por um “vazio” nesta questão ambiental. 

SOLUÇÕES 

O engenheiro ambiental e empresário da Terraplanagem Medeiros, Israel de Farias, destacou que o caso realmente é preocupante, e que soluções podem ser encontradas, desde que haja integração de vários setores. Para começar, ele ressalta que o material reciclável, principalmente de construções, deve ser “puro”. Ele explica que nas caçambas são jogados lixos orgânicos e até animais mortos. “Temos até uma cartilha que mostra a correta forma de colocar os resíduos. Tudo começa pela educação”, frisou.  

Sobre a situação da Ajotre, Israel entende que o Poder Público não tem condições de arcar com a despesa de uma sina de reciclagem, que realmente tem um alto custo. Ele defende que a Prefeitura, por exemplo, estimule os pequenos geradores (que produzem resíduos de pequena escala), possibilitando a devida reciclagem. Para isto, deve haver política pública com relação ao transporte e em parceria com a iniciativa privada.  

Israel revela que hoje Joinville produz 10.000 m3 de entulhos por dia, ou seja, é preciso que haja urgentemente uma forma de aproveitamento deste material para se evitar, inclusive, crimes ambientais. 

PREFEITURA RESPONDE 

Segundo informações da Prefeitura de Joinville, ocorre apoio para a regularização de várias cooperativas, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e também pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico.  

Texto: Rogemar Santos

Rogemar Santos

Jornalista há mais de 20 anos e Editor Chefe do Jornal da Cidade

Compartilhar: