Aeroporto de Navegantes muda de nome em meio a processo de venda

Data da publicação:

O Aeroporto Internacional de Navegantes, em Santa Catarina, está entre os terminais que passam a ser gerenciados sob uma nova identidade. A CCR, tradicional grupo brasileiro de infraestrutura, agora se chama Motiva. A mudança de nome foi aprovada por acionistas em abril e anunciada oficialmente em março, marcando um reposicionamento estratégico que inclui a saída do setor aeroportuário para focar os investimentos em rodovias.

Reestruturação e mudança de foco

A Motiva está promovendo uma ampla reestruturação dos negócios e anunciou planos para se desfazer de todas as suas 17 concessões de aeroportos no Brasil — incluindo os terminais de Navegantes e Joinville — em uma negociação que pode chegar a R$ 6 bilhões. O movimento visa concentrar os esforços da companhia na gestão rodoviária, setor que representa margens de lucro maiores.

A venda está sendo organizada como um pacote único, e bancos foram contratados para intermediar o processo. A operação ainda depende de aprovação do governo federal e prevê que os novos operadores assumam integralmente as obrigações de investimento e manutenção previstas nos contratos originais.

Nova marca, mesma operação

Apesar da reestruturação, a nova identidade visual da Motiva começa a ser implementada de forma gradual em 16 dos 17 aeroportos sob sua gestão. A exceção é o Aeroporto Internacional de Confins (MG), operado por meio do consórcio BH Airport. A previsão é que todos os terminais estejam com a nova marca até 2026.

Monique Henriques, diretora de Negócios Aeroportuários da Motiva, destaca que a transformação vai além do nome:

“Ela simboliza uma empresa mais moderna, mais humana, atenta ao futuro e com uma amplitude de atuação muito maior”.

Em 2024, os aeroportos sob responsabilidade da empresa transportaram mais de 45 milhões de passageiros, consolidando a Motiva como uma das maiores operadoras aeroportuárias da América Latina.

Grupos internacionais disputam concessões

O processo de venda das concessões já entrou na segunda fase, com empresas interessadas sendo selecionadas para apresentar propostas. Entre os potenciais compradores estão gigantes do setor aeroportuário global, como:

  • Vinci Airports (França) – que opera terminais em Salvador, Manaus e outras cidades;
  • Fraport (Alemanha);
  • Zurich Airport (Suíça) – responsável pelo terminal de Florianópolis;
  • Aena (Espanha) – que administra 17 aeroportos no Brasil.

Além dos operadores internacionais, pelo menos quatro fundos de investimento, como o Macquarie (Austrália), também participam da disputa.

Presença nacional e internacional da Motiva

Hoje, a Motiva atua com 39 operações em 13 estados brasileiros, somando mais de 16 mil colaboradores. Sua infraestrutura cobre 4.475 km de rodovias — incluindo o trecho sul da BR-101 em Santa Catarina —, além dos aeroportos em três países da América Latina.

Aeroportos gerenciados pela Motiva no Brasil:

  • MG: Confins, Pampulha
  • PR: Curitiba (Afonso Pena e Bacacheri), Londrina, Foz do Iguaçu
  • SC: Navegantes, Joinville
  • RS: Pelotas, Uruguaiana, Bagé
  • GO: Goiânia
  • TO: Palmas
  • PI: Teresina
  • MA: São Luís, Imperatriz
  • PE: Petrolina

No exterior:

  • Costa Rica: San José – Aeroporto Juan Santamaría
  • Equador: Quito – Aeroporto Mariscal Sucre
  • Curaçao: Willemstad – Aeroporto Internacional de Curaçao

O que muda para os passageiros?

Apesar da possível mudança de operador, os contratos de concessão garantem a continuidade dos investimentos e do padrão de atendimento. A venda não deve impactar, ao menos inicialmente, a rotina dos usuários dos terminais. Os compromissos firmados em edital deverão ser integralmente assumidos pelos novos gestores.

O processo de venda, segundo estimativas de mercado, pode avançar já no início do segundo semestre de 2025, mas ainda sem uma data oficial para conclusão.

jcjoinville

Compartilhar: