Museu de Arte de Joinville apresenta 50 anos de arte em nova exposição

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Mais de 70 artistas, diferentes gerações e muitas formas de olhar para a arte. É a partir dessa diversidade que o Museu de Arte de Joinville (MAJ) apresenta a exposição “50 Anos do MAJ”, que reúne obras do acervo construído ao longo de cinco décadas e trabalhos que trazem novas perspectivas para a mostra.

A programação para celebrar o cinquentenário ocorre nesta quinta-feira (3/9), a partir das 18h30, com apresentações artísticas e momentos que celebram a trajetória do museu.

A agenda começa com uma apresentação de dança da Cia 255. Às 19h, o público poderá acompanhar o concerto com Ananias Alves de Almeida e a abertura da exposição “50 Anos do MAJ”.

Às 19h30, será inaugurada a Sala Marina Mosimann, espaço que homenageia a galerista com importante participação na história das artes visuais de Joinville e de Santa Catarina.

Na sequência, às 19h40, haverá apresentação da Escola Municipal de Ballet da Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior. Encerrando a programação, às 20h15, o professor Nicolau Schmidt Júnior e o músico Orimar Hess, da Escola de Música Villa-Lobos, também da Casa da Cultura, se apresentam ao público.

Durante toda a noite, haverá ainda praça de alimentação e feira de artesanato. Toda a programação é aberta ao público, sem cobrança de ingresso.

Exposição relembra a trajetória artística de Joinville e do estado

A exposição marca os 50 anos de abertura do museu ao público, completados em 3 de setembro, e convida a percorrer parte da história artística de Joinville e de Santa Catarina por meio de pinturas, desenhos, gravuras, técnicas mistas, trabalhos sobre papel, fotografias e videoarte. Entre os artistas presentes estão nomes como Edith Wetzel, Juarez Machado, Luiz Henrique Schwanke e Rosa Herkenhoff.

“O grande convite dessa exposição é pensar que um acervo não é apenas aquilo que está guardado dentro do museu. É uma narrativa construída ao longo do tempo. Cada obra carrega a trajetória de um artista, mas quando entra em uma coleção pública passa também a fazer parte da memória coletiva”, destaca a coordenadora do MAJ, Ângela Peyerl.

Entre os trabalhos que ajudam a construir essas relações está “Bosque (Museu Casa Fritz Alt)”, de Eugênio Colin, de 1994. A obra retrata um bosque relacionado ao espaço que hoje abriga o Museu Casa Fritz Alt, criando uma ligação entre dois lugares importantes para a memória e a arte de Joinville.

Outro destaque é “Carta a Darcy Ribeiro”, de Hamilton Machado. O título já revela uma ligação com referências culturais e intelectuais que vão além da própria imagem. Já “Atelier, 9 rue Charlot”, de Juarez Machado, mostra uma experiência vivida pelo artista fora de Joinville e amplia o olhar sobre sua trajetória.

“Uma das experiências mais interessantes é perceber como as obras conversam entre si, mesmo quando foram produzidas em épocas, técnicas e contextos muito diferentes. Uma pintura pode dialogar com uma fotografia; uma obra de um artista consagrado pode criar uma relação inesperada com a produção de um artista de outra geração”, conta Ângela.

Novos olhares

A história, no entanto, não termina nas obras que já fazem parte do acervo. No porão do MAJ, a exposição também aproxima o público da produção contemporânea de artistas ligados à Associação de Artistas Plásticos de Joinville (AAPLAJ).

É nesse espaço que a artista visual Maria Bepler apresenta “Caos: A dislexia através das artes”. A obra parte da experiência da artista com a dislexia e transforma as palavras em imagem. Cartazes com palavras trocadas estão distribuídos por um dos corredores do porão, criando uma sensação de estranhamento e convidando o visitante a perceber a linguagem de outra maneira.

A instalação é acompanhada pelo curta-metragem “Cegueira verbal”, do cineasta em formação Vitor Tavares. “Quero que as pessoas possam ver o mundo um pouco como eu vejo. Na exposição, as palavras são reorganizadas para transformar uma experiência pessoal em experiência artística”, conta Maria Bepler.

Rogemar Santos

Jornalista há mais de 20 anos e Editor Chefe do Jornal da Cidade

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