Por trás do momento de gerar um filho, há uma série de cuidados e profissionais que garantem mais segurança, qualidade de vida e saúde para a mãe e o bebê. O pré-natal é essencial para reduzir riscos de complicações durante a gestação e o parto, e tem como principal porta de entrada as Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs).
Joinville conta atualmente com 2.789 gestantes em acompanhamento de pré-natal pelo SUS nas UBSFs. De acordo com os Indicadores de Desempenho do Ministério da Saúde, 54,3% das gestantes em acompanhamento em Joinville já realizaram pelo menos seis consultas de pré-natal ou mais na atenção primária. Destas mulheres, 83,1% também realizaram exames de sífilis e HIV e 64,4% passaram por atendimento odontológico.
“Quando falamos em pré-natal, falamos de um acompanhamento que visa prevenir e buscar a melhor qualidade para mãe e para o bebê e ajudar a prevenir futuros riscos dessa gestação”, destaca Jhoselin Carone Rachid, médica da família e coordenadora técnica médica de Regulação e Serviços Especializados.
Segundo a profissional, o pré-natal é determinante para identificar outras condições que exigem cuidados específicos, como diabetes gestacional, pressão alta, anemia, infecções e condições que afetem o crescimento fetal. Caso haja risco de complicações e doenças preexistentes da mãe, é possível iniciar medidas de prevenção ou tratamento.
Durante a rotina de consultas de pré-natal, a comunicação é uma parte muito importante. A recomendação às gestantes é sempre falar sobre hábitos, histórico familiar, doenças pré-existentes, uso de medicamentos, sintomas e dúvidas.
“O pré-natal é um acompanhamento bem centralizado na gestante e no bebê. É importante que as gestantes tragam todas as dúvidas possíveis. Dentro do consultório, nenhuma dúvida é boba”, ressalta a médica.
Pré-natal identifica riscos como a pré-eclâmpsia
Para Debora Thaline de Leão, o pré-natal foi essencial para assegurar o bem mais precioso: a vida. Ela teve pré-eclâmpsia (aumento da hipertensão arterial) na primeira e na segunda gestação. Em novembro do ano passado, o segundo filho, Joaquim, nasceu prematuro.
O acompanhamento do pré-natal na UBSF Leonardo Schilickmann, no bairro Iririú, permitiu identificar com antecedência a gravidez de risco e, além do acompanhamento na unidade de saúde, o cuidado foi compartilhado com a Maternidade Darcy Vargas.
Devido à pressão alta, Debora realizava acompanhamento periódico da pressão e usou todas as suplementações preventivas recomendadas, conforme protocolo de pré-eclâmpsia aplicado em todas as Unidades Básicas de Saúde da Família de Joinville. O município é pioneiro no Brasil na implementação de um protocolo para emergências hipertensivas na gravidez para identificar com agilidade os sinais de uma pré-eclâmpsia.
Ao completar 33 semanas de gestação, Debora passou a sentir dores de cabeça mais fortes. Por precaução, foi até a maternidade onde, por segurança, ficou internada até o dia do parto. Joaquim nasceu com 1.750 kg e ficou duas semanas na UTI Neonatal do Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria. No dia 16 de dezembro, ele teve alta e a família finalmente ficou completa em casa. Hoje, mãe e filho seguem em acompanhamento na UBSF.
“Ele foi pra UTI e eu saí da maternidade três dias depois. Eu ia pra casa, voltava, podia ficar uma hora com ele no colo. Consegui um lugar no alojamento e ele começou a mamar, graças a Deus. Quando chegou aos dois quilos, conseguimos ir pra casa. Se não fosse o atendimento daqui com o atendimento na maternidade, a pré-eclâmpsia é tão devastadora que eu até poderia ter perdido a vida”, relembra Debora.