Ao adotar um animal de estimação, o tutor tem benefícios como diminuição do estresse e da solidão, além de um estilo de vida mais ativo. Mas muito mais do que isso, o tutor ganha um amigo, um companheiro e proporciona um lar para um animal que pode ter enfrentado momentos difíceis.
O trabalho do Centro de Bem-Estar Animal (CBEA), da Prefeitura de Joinville, é resgatar e tratar cães e gatos que foram vítimas de maus-tratos, feridos, atropelados ou doentes. No CBEA, esses animais recebem tratamento médico-veterinário, mas o acolhimento é temporário porque a equipe precisa cuidar de outros bichinhos que chegam. Por isso, o animal que está curado precisa de um lar definitivo.
A Paçoca é um exemplo de pitbull que passou pelo CBEA e hoje vive em um apartamento no Centro de Joinville. “Adotamos a Paçoca há mais de um ano. Naquele momento não estávamos procurando um cachorro, mas fui gostando da ideia e falei com meu marido. Só pelas fotos dela já nos apaixonamos e marcamos de conhecê-la aqui em casa”, conta a professora Ana Alves, tutora da Paçoca.
A maior parte dos animais resgatados e tratados no CBEA e que estão à espera de um novo lar são de médio e grande porte. Normalmente, eles ficam por um longo período esperando uma adoção.
“Os de médio e grande porte ficam por um tempo bem longo porque as pessoas buscam filhotes menores. Nosso apelo é que as pessoas busquem também os animais de médio e grande porte porque eles podem levar felicidade para a família, eles têm muita energia, basta ter um local adequado”, afirma a gerente do Centro de Bem-Estar Animal, Elisabet de Souza Mendes.
Hoje são cerca de 130 animais no CBEA. “Alguns já estão em vias de receber alta nas clínicas e a grande maioria deles, cerca de 80%, são animais de médio e grande porte”, diz Elisabet.
“Normalmente, os cães grandes são menos medrosos e mais confiantes. Isso facilita o manejo, no passeio e na interação com eles. Não se olha um cão pelo tamanho, se olha pelo comportamento. Às vezes, pega um pequenininho que dá muito mais trabalho do que um grande que é um cão que dorme o dia inteiro, é comportado, um cão que vai ficar do teu lado”, explica Fábio Silvério, coordenador da Clinicão, empresa que presta serviços para o CBEA.
“A gente pede que as pessoas não tenham receio com os animais maiores. Aqui, eles recebem treinamento, são socializados e ficam prontos para ir para a sua casa”, diz Elisabet.
Foi exatamente o que ocorreu com a Paçoca. “O pessoal do CBEA a trouxe aqui para vermos se iríamos nos adaptar, pois era um desafio ter um pitbull em um apartamento. Mas assim que ela chegou já deitou na sala e mostrou que estava super confortável. O Fábio nos deu várias dicas de como guiar e cuidar dela, foram muito atenciosos nesse processo”, conta a tutora.
Animais recebem treinamento
Além de receber orientações sobre o comportamento do animal, a equipe do CBEA recomenda que a família que vai adotar um cão de grande porte tenha um espaço adequado, que possa acomodar esse animal de forma que ele fique bem, que não fuja, que não pule o muro, que não cause problemas com os vizinhos.
“Sempre que alguém procura o CBEA para fazer uma adoção, a gente faz uma socialização com essa família que vai entender como é o temperamento desse animal. A família pode ficar alguns dias com ele”, explica a gerente.
Com o treinamento feito pelo CBEA, o cão aprende a passear de guia, sabe se comportar em um carro, por exemplo, e também sabe onde fazer as necessidades.
Adoção de pitbulls
Muitos dos cães de grande porte à espera de um novo lar no CBEA são pitbulls, uma raça que representa mais demanda devido ao abandono, atropelamento e maus-tratos.