A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na segunda-feira (20), o uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento da apneia obstrutiva do sono em adultos obesos. Com a decisão, o remédio, que já era utilizado no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, passa a ser a primeira terapia medicamentosa aprovada no país para tratar a apneia do sono — condição intimamente ligada ao excesso de peso.
A apneia obstrutiva do sono é uma doença caracterizada pela interrupção repetida da respiração durante o sono, o que prejudica o descanso e pode trazer consequências graves à saúde. Segundo a Academia Americana de Medicina do Sono (AASM), as pausas respiratórias, que duram em média de 10 a 30 segundos, ocorrem devido ao colapso dos tecidos da garganta, bloqueando as vias aéreas.
Obesidade é um dos principais fatores de risco
O sobrepeso e a obesidade são fatores determinantes para o surgimento da apneia obstrutiva do sono. A condição, além de afetar a qualidade de vida, aumenta o risco de doenças cardiometabólicas, como hipertensão, diabetes tipo 2, insuficiência cardíaca e AVC.
O tratamento padrão envolve o uso de aparelhos de pressão positiva contínua (CPAP), que mantêm as vias respiratórias abertas durante o sono. Agora, com a aprovação do Mounjaro, pacientes obesos ganham uma nova alternativa terapêutica, voltada à redução de peso e, consequentemente, à melhora dos sintomas da apneia.
“A aprovação de Mounjaro para a apneia obstrutiva do sono é um marco transformador, pois oferece uma nova esperança aos pacientes ao tratar a causa subjacente da doença — a obesidade”, afirmou médico especilista.
Estudos clínicos comprovam eficácia da tirzepatida
A decisão da Anvisa foi baseada nos resultados do estudo clínico de fase 3 SURMOUNT-OSA, que avaliou a eficácia e segurança da tirzepatida em adultos com obesidade e apneia obstrutiva do sono moderada a grave, tanto em pacientes que utilizavam CPAP quanto naqueles que não faziam uso do aparelho.
Os dados mostraram que o Mounjaro foi cinco vezes mais eficaz que o placebo na redução das interrupções respiratórias durante o sono. Entre os participantes que não usavam CPAP, houve 27 episódios respiratórios a menos por hora com o uso da medicação, contra apenas cinco com placebo.
Após um ano de tratamento, 42% dos pacientes que utilizaram apenas o medicamento e 50% dos que combinaram o uso com o CPAP apresentaram remissão da apneia ou apenas casos leves e sem sintomas, comparado a 16% e 14% nos grupos placebo.
Além da melhora nos sintomas, os participantes também tiveram perda significativa de peso:
- 20,4 kg (18%) em média entre os que usaram apenas Mounjaro;
- 22,7 kg (20%) em média entre os que combinaram o medicamento ao CPAP.
Os grupos placebo perderam apenas cerca de 2% do peso corporal.
Detalhes do estudo internacional
O SURMOUNT-OSA envolveu 469 participantes de países como Brasil, Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Japão e México. Eles receberam doses de 10 mg ou 15 mg de tirzepatida, ajustadas conforme a tolerância individual.
Foram realizados dois estudos paralelos:
- Estudo 1: com pacientes que não utilizavam o CPAP;
- Estudo 2: com pacientes que já faziam uso do aparelho e continuaram durante a pesquisa.
O que é o Mounjaro
O Mounjaro é um medicamento injetável em caneta composto por tirzepatida, uma molécula que atua como agonista duplo dos hormônios GLP-1 e GIP — substâncias produzidas no intestino que estimulam a liberação de insulina e auxiliam no controle do açúcar no sangue e na saciedade.
O remédio foi aprovado no Brasil em setembro de 2023 para diabetes tipo 2 e, em junho de 2024, para o tratamento de sobrepeso e obesidade. Seu uso deve estar sempre associado a mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física.
Com a nova indicação, o Mounjaro se consolida como um importante aliado no tratamento de doenças relacionadas à obesidade, oferecendo benefícios que vão além da perda de peso — incluindo agora a melhora comprovada da apneia obstrutiva do sono.