A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou nesta sexta-feira (5) uma operação de grande envergadura contra um suposto esquema de corrupção que vitimou hospitais em quatro cidades do estado.
A operação mobiliza 15 mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária, executados simultaneamente em Joinville, Florianópolis, Brusque e Blumenau. Segundo investigadores, o caso pode representar a maior fraude já registrada no setor hospitalar catarinense, envolvendo os crimes de estelionato, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Esquema explorava doações via conta de luz
As investigações revelaram que empresas intermediárias ofereciam aos consumidores a possibilidade de fazer doações a entidades filantrópicas diretamente na fatura de energia elétrica da Celesc. No entanto, parte significativa desses valores nunca chegava aos hospitais beneficiários, sendo desviada pelas próprias empresas responsáveis pelo repasse.
O Hospital de Azambuja, em Brusque, figura entre as principais vítimas do esquema, ao lado do Hospital Misericórdia, na Vila Itoupava (Blumenau), e do Hospital Bethesda, em Joinville. Em Florianópolis, a própria Celesc foi prejudicada, já que não tinha conhecimento do uso irregular de suas faturas para captação de doações.
Investigação partiu de denúncia
O delegado regional de Joinville, Rafaello Ross, explicou que a apuração começou após uma denúncia e confirmou o desvio sistemático de recursos destinados às entidades filantrópicas.Foi identificado um possível crime de estelionato, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro referente ao desvio de recursos que deveriam ir para entidades hospitalares e acabaram sendo apropriados por essas empresas.
A Polícia Civil não divulgou até o momento os valores totais desviados nem o número exato de envolvidos no esquema. A investigação permanece em andamento, e mais detalhes sobre a operação devem ser revelados ao longo do dia.
O caso expõe a vulnerabilidade de instituições hospitalares filantrópicas, que dependem de doações para manter seus serviços à população, e levanta questões sobre a necessidade de maior fiscalização nos mecanismos de captação de recursos para o terceiro setor.