O Theatro Municipal do Rio de Janeiro amanheceu com forte movimentação nesta sexta-feira (25), quando foi realizado o velório da cantora Preta Gil, falecida aos 50 anos no último domingo (20), vítima de um câncer colorretal. O início da cerimônia, previsto para as 9h, sofreu um leve atraso devido à grande quantidade de coroas de flores enviadas por admiradores, amigos, artistas e familiares. O volume de homenagens exigiu mais tempo da equipe organizadora para acomodar os arranjos no saguão principal do teatro, transformando o espaço em um verdadeiro jardim de despedidas.
Emoção toma conta da despedida
Apesar do contratempo, o público não se afastou. Desde as primeiras horas da manhã, centenas de fãs aguardavam do lado de fora do teatro, muitos levando flores, cartazes e fotografias da artista. Durante a cerimônia, que segue até as 13h, grupos de admiradores entoaram canções que marcaram a carreira de Preta, como Sinais de Fogo, além de palavras de ordem que lembravam o ativismo da cantora. “Viva a liberdade! Liberdade às mulheres pretas!”, bradou uma das presentes, emocionando os que acompanhavam o momento.
Francisco Gil, filho único da cantora com o ator Otávio Müller, foi um dos primeiros a chegar, acompanhado da namorada, Alane. Em clima de consternação, se dirigiu ao caixão para iniciar sua despedida particular da mãe.
O Theatro Municipal foi escolhido não apenas por sua relevância cultural, mas por ter sido um espaço significativo na trajetória pessoal e profissional da artista. A própria Preta, em vida, manifestou o desejo de ser velada ali.
Cortejo seguirá pelo “Circuito Preta Gil”
Após o encerramento da cerimônia pública, familiares e amigos próximos terão um momento reservado de despedida dentro do teatro. Em seguida, o cortejo fúnebre seguirá até o Cemitério da Penitência, na Zona Norte da cidade.
A rota foi cuidadosamente escolhida para passar por pontos emblemáticos do Carnaval carioca, incluindo a Rua Primeiro de Março, onde Preta fundou e conduziu, desde 2009, o icônico Bloco da Preta. Recentemente, o trajeto foi batizado oficialmente como Circuito Preta Gil, em homenagem à artista. Placas de sinalização foram instaladas na noite anterior ao velório, eternizando o nome da cantora no espaço urbano do Rio de Janeiro.
A Prefeitura do Rio montou uma operação especial de trânsito para garantir a fluidez no percurso, que terá aproximadamente nove quilômetros.
Vida, luta e legado
Preta Gil faleceu nos Estados Unidos, onde realizava um tratamento experimental após enfrentar, por quase dois anos, um câncer no intestino. Diagnosticada em janeiro de 2023, ela passou por diversas cirurgias e sessões de quimioterapia. Em dezembro do mesmo ano, chegou a anunciar a reabilitação. Contudo, a doença retornou em agosto de 2024, já com metástase, exigindo novos procedimentos médicos.
Em maio deste ano, partiu para os Estados Unidos em busca de alternativas terapêuticas. Mesmo nos momentos mais difíceis, manteve o bom humor, a fé e o vínculo com os fãs, compartilhando sua luta de forma aberta e corajosa.
Filha do cantor Gilberto Gil e de Sandra Gadelha, Preta deixa seu legado artístico e social, além do filho Francisco e da neta Sol de Maria. A cerimônia de cremação será restrita à família, após mais uma despedida íntima no Cemitério da Penitência.