O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, oficializou nesta terça-feira (22) a decisão de deixar novamente a Unesco, a agência das Nações Unidas voltada para educação, ciência e cultura. A saída foi anunciada pelo Departamento de Estado, que justificou o desligamento afirmando que a permanência na organização “não atende aos interesses nacionais americanos”.
Em comunicado à imprensa, a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, criticou o papel atual da Unesco, acusando a instituição de priorizar uma agenda “globalista e ideológica”, especialmente voltada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Para o governo Trump, tais pautas estariam em desacordo com a política externa defendida pela atual gestão, baseada na estratégia de “América em Primeiro Lugar”.
A Unesco, sediada em Paris e criada em 1945 após a Segunda Guerra Mundial, tem como missão promover a paz por meio da colaboração internacional nas áreas de educação, ciência e cultura. A decisão representa um duro golpe para a entidade, já que os Estados Unidos ainda hoje representam cerca de 8% do orçamento global da agência — um percentual que já foi maior, chegando a 20% antes da primeira retirada americana, também sob Trump, em 2017.
Além da Unesco, Trump determinou outras rupturas com instituições multilaterais. O republicano já anunciou a retirada dos EUA da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a suspensão do financiamento da UNRWA, a agência da ONU de apoio aos refugiados palestinos. Segundo o governo americano, todas essas decisões fazem parte de uma revisão ampla da participação dos Estados Unidos nas agências da ONU, com conclusão prevista para agosto.
Esta não é a primeira vez que os EUA deixam a Unesco. O país havia abandonado a agência em 1984, durante o governo de Ronald Reagan, alegando problemas de gestão e um viés antiamericano. O retorno ocorreu apenas em 2003, sob George W. Bush, que considerou que a Unesco havia promovido reformas suficientes para justificar a reintegração.
Durante o governo de Joe Biden, os EUA haviam voltado a integrar a Unesco, bem como a OMS e o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, revertendo parte do isolamento internacional adotado na gestão anterior de Trump.
A Unesco ficou conhecida mundialmente por estabelecer o programa de Patrimônio Mundial, que reconhece e protege locais de importância cultural e natural, como o Grand Canyon, nos Estados Unidos, e as ruínas históricas de Palmira, na Síria.