Tensão internacional cresce com anúncio americano
A China expressou nesta quarta-feira (21) sua profunda preocupação com o novo projeto militar dos Estados Unidos: o sistema de defesa aérea conhecido como Domo de Ouro. O megaprojeto, anunciado na véspera pelo ex-presidente Donald Trump, tem como objetivo proteger o país de ameaças vindas de potências como China e Rússia.
Durante uma coletiva de imprensa realizada em Pequim, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, criticou duramente a proposta. “Estamos seriamente preocupados com esse sistema, que possui claras implicações ofensivas”, afirmou.
Trump anuncia plano bilionário liderado por general da Força Espacial
Na terça-feira (20), Donald Trump revelou detalhes do projeto, avaliado em US$ 175 bilhões, e afirmou já ter escolhido o design final para o sistema de defesa. O plano inclui a nomeação de um general da Força Espacial dos EUA para liderar o programa, cujo foco será neutralizar possíveis ataques com mísseis — especialmente vindos da China e da Rússia.
Segundo Trump, o Domo de Ouro funcionará como uma barreira de proteção avançada, no estilo do sistema já utilizado por Israel, mas com tecnologias mais ambiciosas e alcance global.
Pequim vê ameaça à estabilidade global e à segurança coletiva
Para a China, o projeto vai além de uma simples medida defensiva. Segundo Mao Ning, o Domo de Ouro representa uma tentativa de Washington de buscar segurança absoluta em detrimento do equilíbrio estratégico internacional. “A segurança de uma nação não deve ser alcançada às custas da segurança de outras”, declarou.
Ela acrescentou ainda que a iniciativa pode provocar uma nova corrida armamentista e estimular a militarização do espaço, comprometendo acordos internacionais e fragilizando a confiança entre as grandes potências.
Apelo por diálogo e desescalada
O governo chinês pediu formalmente que os Estados Unidos desistam do desenvolvimento do Domo de Ouro o mais rápido possível. Mao Ning reforçou que Pequim está disposta a dialogar e defende que as grandes potências adotem medidas concretas para restaurar a confiança mútua e evitar novos confrontos militares.
“Acreditamos que, para garantir a paz e a estabilidade globais, é essencial que todos os países atuem com responsabilidade e evitem ações que aumentem a tensão e a desconfiança”, concluiu a porta-voz.