Audrey Jean Backeberg, que desapareceu em 1962 aos 20 anos em Reedsburg, Wisconsin, foi localizada viva mais de seis décadas depois. A descoberta encerra um mistério que atravessou gerações na pequena cidade a cerca de 100 quilômetros de Madison. A jovem, que na época foi vista pela última vez ao se afastar de um ponto de ônibus após pegar carona até a capital do estado, não deixou rastros desde então — até este ano.
Segundo relatos da época, ela teria embarcado em um ônibus para Indianápolis, mas nunca chegou ao destino conhecido nem deu mais notícias. O caso foi investigado por anos pelo Gabinete do Xerife do Condado de Sauk, que eventualmente teve de arquivá-lo por falta de pistas.
Investigação reaberta trouxe respostas inesperadas
O caso ganhou novo fôlego no início de 2025, quando o detetive Isaac Hanson assumiu a reanálise de arquivos antigos. Com paciência e método, Hanson revisou documentos históricos e registros públicos, além de reentrevistar possíveis testemunhas.
Um elemento decisivo veio de uma conta no site de genealogia Ancestry.com, administrada por uma irmã de Backeberg. A partir dos dados de registros de óbitos e censos, o detetive conseguiu traçar um possível paradeiro fora do estado.
Com essas informações em mãos, Hanson solicitou apoio do xerife da localidade indicada para uma visita discreta. A diligência foi positiva: Backeberg foi encontrada viva e bem, com 82 anos. Posteriormente, o detetive teve uma conversa por telefone de 45 minutos com ela, que preferiu manter os detalhes da conversa em sigilo.
Desaparecimento foi voluntário, concluem autoridades
Ao contrário do que muitos suspeitavam ao longo das décadas, a investigação concluiu que não houve crime. Backeberg escolheu sair de cena e construir uma nova vida por conta própria. “Ela tinha seus motivos para ir embora”, disse Hanson ao canal local WISN. “Ela parecia tranquila, segura de sua decisão e sem arrependimentos.”
A revelação encerra oficialmente o caso como encerrado e não criminal. Para as autoridades, o desaparecimento foi um ato de autonomia e não um mistério policial.
O direito de desaparecer
A história de Audrey Backeberg levanta discussões sobre privacidade, autonomia e o direito de seguir um novo caminho — mesmo que isso signifique cortar laços com o passado. O caso, embora resolvido, permanece como um lembrete de que nem todo desaparecimento é forçado. Às vezes, é apenas uma escolha de recomeço.