Com a presença confirmada de todos os 133 cardeais com direito a voto, Roma se prepara para o início do conclave que elegerá o novo líder da Igreja Católica. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (5) pelo porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, a dois dias do início das votações. O processo, que se inicia na próxima quarta-feira (7), ocorrerá sob rígido sigilo na Capela Sistina, no coração do Vaticano.
Cerimônia ancestral e vigilância mundial
O conclave, que remonta à Idade Média, segue tradições centenárias. A partir das 16h30 (horário local), os cardeais se reúnem sob os afrescos de Michelangelo para iniciar as votações, que continuam até que um nome conquiste a maioria de dois terços – 89 votos – necessária para ocupar o trono de São Pedro. Enquanto isso, fiéis no mundo inteiro acompanham atentos o sinal da pequena chaminé no alto da Capela Sistina. Fumaça preta indica impasse; branca, a tão esperada frase: Habemus Papam.
Perfil do futuro pontífice: continuidade ou ruptura?
Analistas e cardeais concordam que dificilmente o novo papa seguirá o mesmo ímpeto reformista de Francisco, o primeiro pontífice latino-americano. Popular por sua abordagem voltada aos pobres e marginalizados, o papa argentino também enfrentou resistências dentro da hierarquia eclesiástica. Ainda assim, muitos esperam um sucessor com perfil semelhante. “Mais como Francisco do que como Bento”, afirmou o alemão Aurelius Lie, turista que acompanha o movimento na Praça de São Pedro.
Restrições e rotina do conclave
Durante o conclave, os chamados “príncipes da Igreja” ficam completamente isolados do mundo exterior – sem celulares, acesso à internet ou contato com a imprensa. As votações ocorrem quatro vezes ao dia: duas pela manhã e duas à tarde, exceto no primeiro dia, que tem apenas uma sessão. Após cada rodada, as cédulas são queimadas. A cor da fumaça revelará o resultado – ou a ausência dele.
Cenário indefinido e favoritos discretos
Apesar de não haver candidaturas formais, diversos nomes despontam nos bastidores. Entre os mais comentados estão o italiano Pietro Parolin, o maltês Mario Grech, o arcebispo de Marselha Jean-Marc Aveline e o filipino Luis Antonio Tagle. No entanto, como diz o ditado popular entre os religiosos em Roma: “quem entra papa, sai cardeal”. A eleição de Bento XVI, em 2005, levou quatro votações. Francisco, oito anos depois, precisou de cinco.
Conclave internacional e herança de Francisco
Com cardeais oriundos de 70 países, este será o conclave mais diverso da história da Igreja. A maioria dos eleitores foi nomeada pelo próprio Francisco, refletindo uma Igreja cada vez menos centrada na Europa. “Vejo cardeais que atuam na Mongólia, na África, na América Latina… É algo muito bonito”, comentou o chileno Fernando Chomalí. “É a herança viva de dois milênios de Igreja e também do papa Francisco”.