Santa Catarina dá início à tradicional temporada da pesca da tainha

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A pesca artesanal da tainha, uma das tradições mais emblemáticas do litoral catarinense, teve início nesta quinta-feira, 1º de maio, com celebrações na praia do Campeche, em Florianópolis. O evento contou com café da manhã, procissão e atividades culturais no histórico rancho de Seu Getúlio, reunindo pescadores, autoridades e membros da comunidade local.

Tradição que move o litoral

A chegada da temporada da tainha representa mais do que apenas a pesca de um peixe. É o reencontro de gerações com uma tradição que molda a identidade do povo catarinense. Nas areias da praia, moradores e turistas se reúnem para assistir às cenas típicas: homens puxando as redes, canoas deslizando na arrebentação e o anúncio da chegada dos cardumes.

Conflito com o Governo Federal

Apesar da celebração, a temporada começou sob tensão. Pelo segundo ano consecutivo, os pescadores artesanais enfrentam um limite imposto pela União: uma cota máxima de 1.100 toneladas para a pesca artesanal da tainha em Santa Catarina, estabelecida pela Portaria Interministerial MPA/MMA nº 26.

A medida foi duramente criticada pelo governo estadual, que entrou na Justiça Federal com uma ação solicitando a suspensão da limitação. Para o governador Jorginho Mello, a decisão federal representa um ataque à cultura e à subsistência de milhares de famílias que vivem da pesca artesanal.

Identidade e subsistência ameaçadas

O secretário de Aquicultura e Pesca, Tiago Bolan Frigo, também criticou a cota e ressaltou o valor simbólico e econômico da atividade. “A pesca da tainha não é apenas uma questão de produção alimentar. É parte da identidade cultural catarinense”, disse.

Segundo ele, o governo estadual esgotou todas as vias administrativas antes de recorrer ao Judiciário. A preocupação é com o impacto direto sobre as colônias de pescadores, especialmente nas comunidades menores, onde a pesca artesanal é a principal ou única fonte de renda.

Safra cercada de esperança

Apesar das restrições e do impasse judicial, a expectativa entre os pescadores é de uma safra positiva. Colônias e associações de pesca estão mobilizadas em todo o estado, prontas para aproveitar o período de maior abundância da tainha, que costuma se estender até o final de junho ou início de julho.

Com redes lançadas ao mar, Santa Catarina inicia mais uma temporada de esperança, fé e resistência — elementos que, há séculos, sustentam a cultura pesqueira do estado.

jcjoinville

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