Uma operação da Receita Federal resultou na apreensão de 2.199 frascos de perfumes importados, em uma transportadora localizada em Palhoça, na Grande Florianópolis. Os produtos, de marcas mundialmente conhecidas como Carolina Herrera, Dior e Giorgio Armani, foram avaliados em mais de R$ 500 mil. A ação faz parte dos trabalhos de repressão ao contrabando e descaminho promovidos pelo órgão em Santa Catarina.
Perfumes entraram no país de forma irregular
Durante a vistoria, os fiscais constataram que a carga não possuía comprovação de importação legal, tampouco o pagamento dos tributos exigidos por lei. Com isso, o responsável pela transportadora será indiciado por crime de descaminho, uma infração que ocorre quando mercadorias entram no país sem os devidos trâmites legais.
De acordo com a Receita, a carga foi considerada irregular do ponto de vista aduaneiro e será enviada ao depósito de mercadorias apreendidas, onde passará por laudo técnico para avaliar sua condição de uso.
Destinação: leilão, doação ou reaproveitamento
Se estiverem em boas condições, os perfumes apreendidos poderão ser leiloados ou doados a entidades assistenciais, que costumam comercializar os produtos em bazares beneficentes. Caso contrário, os frascos podem ser reaproveitados de forma sustentável, evitando o descarte total.
Nos últimos anos, a Receita Federal tem firmado parcerias com universidades e instituições de ensino para dar nova vida a mercadorias que antes eram destruídas. Perfumes, por exemplo, podem ser transformados em aromatizadores de ambientes, reduzindo o impacto ambiental do descarte e trazendo benefícios sociais.
Projeto Ecoa transforma o que seria lixo em utilidade
Um dos exemplos bem-sucedidos dessa política é o projeto Ecoa, mantido pela Receita Federal de Joaçaba em parceria com a Unoesc. Desde 2022, alunos e professores de cursos como Nutrição, Farmácia, Engenharia e Arquitetura têm atuado na descaracterização e transformação de produtos apreendidos, como vinhos, cigarros, bebidas e eletrônicos.
Entre as novas finalidades encontradas estão a produção de geleias, vinagre, álcool gel, sabonetes, cosméticos, pó de vidro para construção civil, entre outros itens úteis à sociedade. Todo o processo — da produção à distribuição — é realizado de forma educativa e com responsabilidade ambiental.
Menos custo, mais benefício
Para a auditora fiscal e assessora de comunicação da Alfândega da Receita Federal em Florianópolis, Maria Cristina Gallotti, o impacto do projeto vai além do meio ambiente. “Além do impacto ambiental muito menor, que era uma grande preocupação nossa, está havendo também um impacto financeiro, porque os contratos para destruição de mercadorias eram muito custosos. Então realmente está deixando todo mundo muito feliz”, afirmou.
Com iniciativas como essa, a Receita Federal busca transformar um problema — o contrabando e descaminho de produtos — em oportunidades de inovação, sustentabilidade e apoio social, reforçando o papel educativo e estratégico do órgão na sociedade.