A Argentina viveu uma manhã tranquila na quinta-feira (10), mas o cenário de protestos e paralisações tomou conta das principais cidades do país. Os maiores sindicatos de trabalhadores, unidos contra as medidas de austeridade do presidente Javier Milei, deram início a uma greve geral de 24 horas, afetando serviços essenciais, como transporte público, aeroportos e portos.
Em Buenos Aires, a capital, os ônibus funcionaram normalmente, mas a greve teve impacto significativo em outras áreas. Bancos, escolas e hospitais públicos fecharam suas portas, e as agências governamentais operaram com equipes mínimas. A mobilização é uma resposta às recentes políticas econômicas implementadas pelo governo, que incluem cortes de gastos e um ajuste fiscal rigoroso.
Protestos Anteriores e Contexto Social
Antes da greve geral, os trabalhadores haviam participado de um protesto de aposentados em frente ao Congresso Nacional na quarta-feira (9). Os manifestantes, em sua maioria aposentados, estavam indignados com os cortes nos fundos de pensão, um dos pontos centrais do descontentamento popular. O protesto, que já havia gerado confrontos com a polícia em edições anteriores, acabou em mais confrontos, com grupos simpatizantes, como torcedores de futebol, se unindo à causa e intensificando os atos de violência.
Rodolfo Aguiar, secretário-geral do sindicato ATE Nacional, foi enfático ao falar sobre a situação: “Depois dessa greve, eles terão que desligar a motosserra”, em referência aos cortes de gastos promovidos pelo presidente. Ele afirmou ainda que “não há mais espaço para cortes” e que o governo precisa revisar suas políticas.
Demandas dos Sindicatos
Os sindicatos exigem a readmissão dos trabalhadores demitidos, a reabertura das negociações salariais e o fim das privatizações propostas pelo governo, incluindo a privatização de empresas públicas. Essas demandas refletem a insatisfação com as reformas e a crescente precarização do emprego no setor público.
Setor Aéreo e Desafios para os Trabalhadores
O sindicato de aviação APA também se juntou à greve, destacando o impacto negativo das políticas de Milei no setor. Segundo o sindicato, o governo tem promovido uma onda de demissões em agências estatais, o aumento da pobreza e uma crescente dívida externa, que são vistos como “a maior fraude da história da Argentina”. Além disso, o setor aéreo enfrenta dificuldades para garantir que os salários dos trabalhadores acompanhem a inflação, que, apesar de ter diminuído, ainda apresenta aumento significativo.
A APA também se opõe à proposta do governo de privatizar a Aerolíneas Argentinas, a empresa estatal de aviação, e continua lutando por melhores condições de trabalho para os funcionários.
O Impacto das Medidas de Austeridade
A greve geral reflete a insatisfação generalizada com a política econômica de Javier Milei, que, embora tenha implementado medidas para reduzir a inflação, também impôs sacrifícios à população com cortes no serviço público e a redução de benefícios sociais. O governo segue firme em seu compromisso com a austeridade, mas os protestos demonstram que a resistência aos cortes pode se intensificar nos próximos meses.