Gol registra prejuízo de R$ 5,1 bilhões no quarto trimestre de 2024

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A Gol anunciou um prejuízo líquido de R$ 5,1 bilhões no quarto trimestre de 2024, um aumento de quase cinco vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o prejuízo foi de R$ 1,098 bilhão. Segundo a companhia, o desempenho negativo se deve ao aumento das despesas financeiras, bem como aos custos e demais despesas operacionais.

Indicadores financeiros
Apesar do prejuízo elevado, a companhia registrou um Ebitda recorrente de R$ 1,89 bilhão, um crescimento de 17,2% em comparação ao quarto trimestre de 2023. A receita líquida também apresentou alta, atingindo R$ 5,5 bilhões, o que representa um crescimento anual de 9,5%.

Em relação ao caixa total da Gol, que inclui equivalentes de caixa e aplicações financeiras, o montante registrado entre outubro e dezembro de 2024 foi de R$ 2,5 bilhões. Já o valor somado às contas a receber chegou a R$ 5,6 bilhões, correspondendo a 29,5% da receita dos últimos 12 meses.

Dívida e passivos
No encerramento do ano, em 31 de dezembro de 2024, a Gol acumulava R$ 22,6 bilhões em empréstimos e financiamentos. O passivo total de arrendamento era de R$ 12,1 bilhões, elevando a dívida bruta total da companhia a R$ 34,7 bilhões, um aumento de 73% na comparação anual.

Perspectivas para 2025
Para este ano, a Gol projeta uma receita líquida entre R$ 22,1 bilhões e R$ 22,7 bilhões. O desafio da empresa será equilibrar suas finanças em meio ao aumento das despesas e ao endividamento crescente.

Fusão com a Azul em discussão
A Gol segue em negociações para uma possível fusão com a Azul. Em janeiro, as empresas anunciaram um acordo para iniciar as tratativas. Para que a operação seja concretizada, será necessária a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), além da conclusão do processo de recuperação judicial da Gol nos Estados Unidos.

Se confirmada, a fusão pode resultar em uma companhia com aproximadamente 60% do mercado de aviação comercial no Brasil, controlando quase 100 rotas no país. A perspectiva de formação de um duopólio no setor levanta preocupações regulatórias.

Atualmente, as duas companhias possuem uma frota combinada de mais de 300 aeronaves e faturaram juntas R$ 25,3 bilhões entre janeiro e setembro do ano passado. Conforme o memorando de entendimento assinado entre Gol e Azul, a nova empresa seguiria o modelo de “corporation”, sem um controlador definido, com o grupo Abra como maior acionista. Ainda não foram estabelecidos os percentuais de participação de cada companhia no negócio.

A intenção é que as marcas Gol e Azul continuem existindo separadamente, enquanto compartilham frotas e operam de forma complementar. A Gol tem maior presença em grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, enquanto a Azul possui uma rede mais distribuída pelo território nacional. A fusão, caso se concretize, será realizada com os ativos atuais, sem previsão de novos investimentos.

jcjoinville

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