A constante corrida contra o tempo, um alerta à saúde mental

Você já desejou que o dia tivesse mais de 24 horas; diminuiu as horas de sono para dar conta de suas atribuições; acelerou a mensagem de voz; sente culpa quando está descansando; tem a impressão que deixou de realizar tarefas importantes; … ”às vezes” ou “quase sempre”?
Caso tenha respondido “quase sempre” nas perguntas acima, é importante implementar mudanças que visem amenizar possíveis efeitos nocivos à sensação de aceleramento do tempo, entre estes pode estar presente o estresse patológico. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022), o estresse considerado patológico é uma epidemia que atinge cerca de 90% da população mundial e pode causar ou estar presente em outras doenças físicas e transtornos psíquicos. Este apresenta sintomas como irritabilidade, sudorese, fadiga, problemas gástricos e de pele, alteração no sono e no apetite, enxaqueca, dificuldade concentração, hipervigilância, entre outros. O que modifica entre algo comum, vivenciado em situações e acontecimentos pontuais da vida, para a evolução de um adoecimento, se refere a recorrência dos mesmos (ocorre mais vezes durante ao dia; quase todos os dias), a intensidade (cada vez mais forte, mais presente no meu cotidiano) e a durabilidade (demora mais para passar; permanece dias e até meses) e perceber se estes sintomas estão impactando as atividades corriqueiras do cotidiano (não consigo mais dar conta das minhas tarefas, como também, não consigo controlar as sensações sem ajuda). Na percepção da predominância de alguns destes fatores, deverá buscar um profissional de saúde para diagnóstico e caso necessário, a orientação para um tratamento adequado.
Já, como estratégias de prevenção existem muitas indicações científicas: práticas de exercícios e atividades de lazer e bem-estar, gestão do tempo (mínimas mudanças, podem trazer ótimos resultados), alimentação adequada, tempo de sono reparador, mas sobretudo a psicoterapia. O processo psicoterapêutico promove o autoconhecimento, como também a compreensão dos aspectos que estão envolvidos nas escolhas e na maneira como direciona à vida, as relações afetivas e sociais. As causas do estresse patológico são multifatoriais, mas em recorrentes casos, as emoções podem estar no centro desencadeador das demais. De acordo com Lazarus (2007) onde há estresse, há emoção, portanto, atribuir sentido subjetivo as suas ações e reações permitirá que você elabore a sua própria receita de saúde e de felicidade.

Psicóloga Patrícia Metz da Fonseca Lemos, CRP 08/21374 em processo de transferência para o CRP/SC.


Referências
Lazarus, R. S. (2007). Stress and emotion: A new synthesis. In A. Monat, R. S. Lazarus & G. Reevy (Orgs.). The Praeger Handbook on Stress and Coping. Londres.
Organização Mundial da Saúde. (2022). Revisão mundial sobre saúde mental. Genebra.

Saúde mental em dia

Atua como psicóloga clínica desenvolve projetos de promoção de saúde mental em organizações de trabalho e na educação. Docente e coordenadora do curso de psicologia em uma instituição de Joinville.

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