No domingo (8/10), ocorreu um embate entre a Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) e membros da etnia Xokleng, em decorrência do fechamento das comportas da Barragem Norte de José Boiteux, localizada dentro da Terra Indígena. A decisão foi tomada pelo governador do Estado, Jorginho Mello (PL), e afeta o nível do Rio Itajaí-Açu na região de Blumenau.
Três indígenas foram alvejados e encaminhados a um hospital local, sem informações sobre seus estados de saúde. As comportas estavam abertas desde 2014, fruto de negociações entre líderes indígenas e o governo catarinense. No entanto, a determinação de fechamento foi feita alegando a necessidade de mitigar os impactos das intensas chuvas que atingem o estado.
Resposta do ministério dos povos indígenas
O Ministério dos Povos Indígenas monitora a situação e alerta que o fechamento das comportas pode resultar no alagamento da terra indígena Laklanõ Xokleng. O governo catarinense prometeu botes para proteção da comunidade indígena em caso de alagamento devido às chuvas, mas essa promessa não foi cumprida.
A pasta, liderada por Sonia Guajajara (PSol), mobilizou a Polícia Federal (PF) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para garantir a segurança das comunidades originárias.
Histórico de conflitos e reivindicações
A barragem foi erguida em território legalmente demarcado da etnia Laklanõ Xokleng. Quando as comportas são fechadas, a comunidade enfrenta alagamentos, deixando moradias e acessos isolados. Esse cenário ocorre desde 1992, quando a obra foi entregue pelo governo federal.
Os indígenas alegam perdas de casas, escolas e plantações devido à barragem, inclusive relatam fatalidades em decorrência das inundações. Desde então, têm buscado compensações pelos danos ocasionados pela construção.
Apesar das chuvas intensas em Santa Catarina nos últimos dias, a barragem não foi ativada, mesmo com o nível de água em Blumenau ultrapassando os seis metros, conforme previsto no plano de contingência do Estado. O governo estadual inicialmente declarou que não fecharia as comportas por questões de segurança, mas posteriormente optou por operá-las.