Numa data tão importante como o Dia Nacional da Saúde, a secretária municipal de Saúde, Tânia Eberhardt, concedeu entrevista para o JC, onde analisa a situação da Saúde de uma forma geral.
JC – Como a secretária avalia a Saúde no Brasil e em Santa Catarina?
O que tínhamos antes da pandemia de Covid-19 era uma Sistema Único de Saúde que caminhava para o fortalecimento da Atenção Primária. A pandemia contribuiu para desestabilizar o sistema de Saúde, já que os esforços foram direcionados para combater o vírus e tratar pacientes que haviam sido infectados, o que na época foi fundamental para salvar vidas.
JC – Diante disto, como encontrou a Saúde em Joinville e o que está fazendo para melhorar?
Em Joinville a situação não foi diferente. Agora, estamos trabalhando no fortalecimento da Atenção Primária. Com essa estratégia, queremos garantir atendimento para a população com foco na prevenção para que evitemos que os casos se agravem. Paralelo a isso, temos trabalhado para atender aqueles casos eletivos, que durante a pandemia tiveram o atendimento suspenso. Lançamos o Plano de Melhorias da Secretaria da Saúde que prevê a contratação de servidores para para fortalecer a Atenção Primária e recompor as 149 equipes de Estratégia de Saúde da Família que atendem todas as regiões da cidade. A partir desta contratação, será possível ampliar a oferta de atendimento odontológico e a quantidade de Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs) que ficam abertas até 19h. Nos últimos meses, as UBSFs ampliaram o horário. A Saúde também trabalha na criação do Comitê Permanente de Gestão de Medicamentos e Insumos que será formado por integrantes da Prefeitura de Joinville, Câmara de Vereadores e Sociedade Civil Organizada.
JC – A dengue assusta e está matando. Como Joinville encara essa doença?
A Secretaria da Saúde monitora atentamente a evolução de casos e também a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Quando houve aumento na quantidade de casos positivos, foi aberta a Central de Atendimento da Dengue para acolhimento de pacientes com suspeita da doença. Os profissionais de rede receberam capacitações e estão preparados para o atendimento dos pacientes tanto nas Unidades Básicas de Saúde da Família, quando em UPAs, PA e hospital.
O trabalho de combate e prevenção ao mosquito ocorre o ano todo. São feitas visitas pelos agentes de combate às endemias às residências para orientar sobre como eliminar os focos. Além disso, os profissionais vistoriam quinzenalmente pontos estratégicos da cidade, como ferros velhos, borracharias, centros de reciclagem e outros estabelecimentos considerados locais que oferecem risco de se tornar criadouros do mosquito.
Nos depósitos que não podem ser eliminados (bocas de lobo, caixas de passagem, entre outros) e que apresentam condições para a proliferação do mosquito, a medida adotada pela Vigilância Ambiental é o tratamento com larvicidas que eliminam larvas e mosquitos adultos.
É feito ainda o monitoramento de armadilhas, que têm a função de estimar qual é o tipo dos mosquitos existentes em determinada região.
Ainda com o uso de larvicidas, a Prefeitura de Joinville, em parceria com a Fiocruz – Amazônia, implantou as Estações Disseminadoras, que consistem em armadilhas nas quais o mosquito Aedes aegypti se torna o propagador do produto.
De acordo com o Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa), realizado pela Vigilância Ambiental de Joinville, a maior quantidade de focos do mosquito estão em residências.
Por este motivo, é fundamental manter cuidados, como evitar o acúmulo de água em qualquer objeto, acondicionar garrafas com a boca para baixo, colocar areia nos pratos dos vasos, manter as calhas limpas, instalar telas mosquiteiras nas caixas de passagem e observar possíveis bolsões de água em lonas de cobertura.
O trabalho educativo também é feito por meio da campanha “10 minutos contra a dengue” que conta com o apoio de alunos das redes municipal, estadual e particular e é divulgada também em empresas, incentivando a eliminação de locais que podem se transformar em criadouros do mosquito.
No dia 1º de abril, mais de 600 pessoas participaram de um mutirão organizado pela Prefeitura para vistoriar residências, orientar sobre a importância da eliminação dos focos, recolhimento de resíduos e atividades educativas. Os mutirões isolados ocorrem também em bairros específicos, aos sábados.
JC – Como enfrentar falta de profissionais?
A Secretaria da Saúde lançou um plano de ação com a previsão de chamar servidores de processos seletivos já realizados para recompor as equipes. Além disso, o município convocou no ano passado os médicos aprovados no concurso público para médicos de estratégia de saúde da família. E neste ano, a Secretaria da Saúde aderiu ao Programa Mais Médicos do Governo Federal, solicitando 51 médicos para as UBSFs. Outra ação que já foi anunciada é que a Prefeitura trabalha na elaboração de um concurso público para o preenchimento de vagas.
JC – Qual planejamento de construção de novas unidades?
A Prefeitura de Joinville tem em andamento a construção de sete novas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs). São elas: UBSF Jardim Sofia; UBSF Nova Brasília; UBSF Lagoinha; UBSF Glória; UBSF Jardim Paraíso; UBSF Willy Schossland e UBSF da Ilha. Além da reforma da UBSF Ulysses Guimarães. O investimento nessas obras é de aproximadamente R$ 24,5 milhões.
Recentemente, a Prefeitura de Joinville entregou a nova UBSF Bom Retiro, a UBSF Aventureiro 2, que somadas tiveram investimento de R$ 4,9 milhões. E a UBSF Vila Nova Rural está instalada em um novo endereço, onde o prédio foi revitalizado e preparado para melhor atender a população.