Exclusivo : Na busca da ressocialização e de estrutura no Estado

Data da publicação:

Entrevista com o Administração Prisional e Socioeducativa, ecretário de Estado da Administração Prisional e Socioeducativa, Carlos Antônio Gonçalves Alves

O Jornal da Cidade entrevistou o Secretário de Estado da Administração Prisional e Socioeducativa, Carlos Antônio Gonçalves Alves, que conta um pouco de sua história, como recebeu a pasta e quais os investimentos realizados até o momento. Ele reforça a necessidade de ressocialização e de estruturação do sistema prisional, além de novos equipamentos.

ENTREVISTA

JC – Senhor secretário, nos conte um pouco de sua carreira e experiência. Como essa experiência o ajuda atualmente?

Secretário – Comecei a trabalhar muito novo, como ajudante de pedreiro, pois meu pai era mestre de obras, depois fui trabalhar no hospital regional de Araranguá e completando 18 anos, foi servir ao exército brasileiro, onde fui sargento temporário entre os anos de 1995 e 2002. Dei baixa em março de 2002 e passei no concurso público para o sistema prisional em maio do mesmo ano, indo trabalhar no presídio Regional de Araranguá. Assumo o cargo de agente prisional em 03/10/02 e em maio de 2003 assumi a chefia de segurança daquela unidade. Posteriormente, entre os anos de 2004 e 2007, fui assumir a chefia de segurança do Presídio Regional de Criciúma. Ao sair de Criciúma, retornei para Araranguá, onde permaneci pouco mais de um mês, sendo convidado para trabalhar no serviço de inteligência do Deap, logo em seguida, com a criação da academia de formação, auxiliei como monitor de turma e instrutor em agosto de 2007. No final do mesmo ano, criamos o Grupo de Ação Tática e Intervenção (GATI) que atuou até 2009.

De 2009 a 2010 fui diretor do presídio de Criciúma, de 2010 a 2012 fui diretor do Complexo Penitenciário do Estado, em São Pedro de Alcântara. Atuei como gerente de escolta e vigilância em 2014.

No ano de 2016 fui com uma equipe para o Ceará, onde atuamos por três meses na retomada de unidades reveladas. No ano de 2017 fomos convocados para a segunda fase da operação Alcaçus, no RN e em 2018 convocado para atuar em Roraima também na recuperação de unidades rebeladas.  Fui instrutor em diversos cursos na Diretoria Penitenciária de Operações Especiais, assim como em outros estados também. Em 2017 criamos o Grupo Tático de Intervenção (GTI), que chefiei ate 2019, indo para a então Coordenadoria de Operações do DEAP, hoje DSO do DPP. Atuei também como gerente de material bélico, até ser chamado para assumir a SAP. Todas estas experiências nos dão mais tranquilidade para contribuir da melhor maneira possível para fazer com que os sistemas prisionais e socioeducativo se mantenham como os melhores do Brasil.

JC – Como o senhor encontrou a Secretaria de Administração Prisional? Quais as mudanças necessárias que teve de viabilizar para chegar ao atual estágio de estabilidade?

Secretário – Encontramos a secretaria com algumas pendências importantes na parte administrativa e bastante instável entre nossos servidores, com aparentes incertezas e nosso trabalho inicial, realmente foi de buscar esta estabilidade, atualizando contratos que estavam atrasados, buscando novos projetos e agora já estamos na fase de execução do planejamento. Já inauguramos o anexo da penitenciária de Tubarão no dia 14/03 e em breve estaremos inaugurando a penitenciária industrial de São Bento do Sul. Já estamos buscando novos equipamentos, armamentos e viaturas e chamando dos remanescentes, aumentando assim o efetivo dos policiais penais e já estamos buscando a possibilidade de aumentar o efetivo dos agentes de segurança socioeducativos, através de concurso público. Nosso foco é a valorização de todos os servidores da SAP.

JC – Como analisa a recuperação dos detentos tanto na parte de presídios, penitenciárias (adultos) , como na área socioeducativa (menores)? 

Secretário – Santa Catarina é exemplo no quesito ressocialização, uma vez que tem investido bastante em atividades laborais, educação e com o programa TRABALHO PELA LIBERDADE, que ampliará o número de vagas para presos trabalhando e estudando, acreditamos que os resultados serão ainda melhores quanto a recuperação destes indivíduos.

JC  – Como estão os investimentos na SAP, tanto em equipamentos, materiais e construção de unidades?

Secretário – Recebemos uma triste herança do governo anterior que não construiu nem uma unidade, com um déficit de mais de 5 mil vagas e o governo Jorginho Mello veio para resolver esta problemática, através da planejamento de construção de novas unidades e ampliação das já existentes. Buscamos resolver o déficit nos próximos anos.Em relação aos equipamentos, já estamos tratando sobre aquisição de coletes balísticos, armamentos e viaturas, sempre buscando o que tem de melhor para nossos policiais penais e agentes de segurança socioeducativos, para que contribuam para mantermos o estado mais seguro do país, ainda mais seguro.

JC – Como o senhor analisa a violência no Brasil? A questão dos grupos criminosos tem solução?

Secretário – A violência em nosso país é, e sempre será algo preocupante, mas Santa Catarina se mantém como o Estado mais seguro do país, com a atuação forte da Secretaria de Segurança Pública que tem hoje em seu comando o secretário Lima e da Secretaria de Administração Prisional e Socioeducativa.Nossa secretaria tem uma grande responsabilidade no combate ao crime organizado através do cumprimento da lei, ordem e disciplina e também com todos os mecanismos que temos para a recuperação da pessoa privada de liberdade.

A melhor forma de combate ao crime organizado e nosso estado tem mostrado isso e oportunizando possibilidades para que estes criminosos se recuperem.Aqui em Santa Catarina quem manda e sempre terá o controle seremos nós servidores da SAP.

Rogemar Santos

Jornalista há mais de 20 anos e Editor Chefe do Jornal da Cidade

Compartilhar: