A produtora Broders está investindo um milhão de reais em um projeto inovador: o documentário musical “Elza Ao Vivo no Municipal”. Este filme, que será exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo nesta quinta-feira (26), traz cenas do último show da lendária cantora Elza Soares, gravado no Theatro Municipal de São Paulo apenas dois dias antes de seu falecimento em janeiro de 2022.
O documentário
O documentário apresenta depoimentos inéditos de ícones como Caetano Veloso, Chico Buarque, Lázaro Ramos, Paulo Gustavo (1978-2021) e Rita Lee (1947-2023). Além disso, será exibido um especial dedicado ao documentário no dia 5 de novembro, tanto no canal TNT quanto na HBO Max. A produção ficará disponível na plataforma digital por um ano.
Áudios inéditos revelam a alma da cantora
O diretor Cassius Cordeiro, responsável pela produção, teve uma ideia inovadora para proporcionar uma experiência mais autêntica ao público. Ele incluiu áudios que Elza Soares recebeu em vida, oferecendo uma visão única de sua jornada musical e pessoal. Entre esses áudios está uma mensagem do saudoso humorista Paulo Gustavo, que revelou seu sonho de colaborar com Elza em um programa de entrevistas no Multishow. Paulo planejava levar personalidades como Elza, Caetano e Maria Bethânia para uma casa em Petrópolis, em um projeto que infelizmente não se concretizou devido à sua prematura morte em 2021. O documentário também apresenta um emocionante áudio de Caetano Veloso, elogiando o álbum “A Mulher do Fim do Mundo” (2015) de Elza Soares, um projeto que mergulhou nas questões sociais e políticas do Brasil.
O local como um símbolo de empoderamento e reconhecimento
O local escolhido para o último show de Elza Soares não foi uma decisão casual. Pedro Loureiro, empresário e diretor artístico da cantora, explicou que o Theatro Municipal de São Paulo foi escolhido para reparar uma injustiça passada. Elza havia sido cortada de uma apresentação ali, uma experiência que ela descreveu como uma rejeição racial e sexista. Ela insistiu que seu último show fosse um ato de inclusão, com uma plateia composta por pessoas que, como ela, enfrentaram barreiras sociais. “Eu estou ocupando pelo meu povo”, ela declarou, enfatizando sua dedicação à comunidade preta e pobre.

O documentário não apenas captura seu talento musical excepcional, mas também celebra seu espírito resiliente e sua dedicação incansável à sua arte e às pessoas que ela representava.